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 Assim que acorda, o engenheiro de computação Otávio Gloria, 24 anos, prepara o café da manhã. Ovos cozidos, castanhas e chás sem açúcar predominam no cardápio, em um hábito que ainda hoje surpreende a mãe. Há seis anos, a primeira refeição do dia eram quatro pães franceses com manteiga e meio litro de achocolatado. O menu mudou quando, em 2008, inspirado pela experiência bem sucedida dos pais, o jovem se submeteu a uma cirurgia bariátrica.

Alterar hábitos é difícil para alguns
Na casa dos Gloria, a reeducação alimentar também foi fundamental para o sucesso dos procedimentos. Nos primeiros meses após a cirurgia, quando o consumo de alimento é bem restritivo devido às alterações fisiológicas, foi preciso focar na mudança de hábitos. Aprenderam sobre a importância nutricional de cada alimento e conseguiram encontrar um equilíbrio. Refrigerante, antes uma regra, hoje aparece tímido na geladeira cheia de frutas e vegetais.

Com a perda de peso, veio o aumento de autoestima e animação. Até então sedentários, todos passaram a se exercitar. Marta, que mede 1m57cm e hoje pesa 50kg, vai três vezes por semana à academia, e se presenteia com sessões demassagem.

Otávio, que realizou o procedimento aos 150 quilos distribuídos em 1m84cm, inicialmente perdeu 62 quilos. A mudança de hábitos, para ele, foi mais tortuosa. Mais de um ano depois da cirurgia, ganhou cerca de 40 quilos. Foi então que entendeu a importância de voltar a se exercitar e equilibrar a alimentação. Hoje, com 98 quilos, sabe que ainda tem um pouco a perder, mas se mostra tranquilo por saber que está no caminho certo.

 

Depois de passar por uma cirurgia de redução de estômago, Otávio Gloria aprendeu que é importante se exercitar para manter o peso

Doze anos antes, a aposentada Marta Regina Campos Velho Gloria, 62 anos, era a primeira da família a realizar o procedimento. O segundo foi o pai, Newton Roque Gloria, 55 anos, que sofria de diabetes. Mas Otávio não foi o último da lista. Meses depois de realizar a operação e perder mais de 60kg, foi a fonte de inspiração para o irmão mais novo, Frederico Gloria, 22, que, assim como ele, sofria de obesidade mórbida.

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A família Gloria reflete uma tendência mundial, na qual o Brasil está no segundo lugar na lista de países que mais realizam procedimentos de redução de estômago no mundo, perdendo apenas para os Estados Unidos. Somente em 2013, foram 80 mil cirurgias. Só o Rio Grande do Sul – apontado pelo IBGE como o Estado com maior proporção de obesos do país – contabiliza mais de 5 mil operações.

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Em poucos meses, Laury já se sentia bem ao se olhar no espelho e voltou a se exercitar. Passados alguns anos, enquanto vivia um conturbado momento familiar, voltou a engordar, alcançando novamente 100 quilos. Foi quando se deu conta de que o fato de fazer a cirurgia não garantia o peso ideal para sempre. Para isso, era preciso ter um acompanhamento profissional.

– Voltei a cuidar a alimentação, mas de uma forma mais consciente. Hoje, com uma nutricionista, já baixei 10 quilos. Aprendi que a pessoa deve ter disciplina para permanecer no peso que deseja – diz Laury

 

Zero Hora 11/10/2014

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