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Músico muda de rotina e perde 102 quilos em 15 meses

Jornalista Gabriela da Silva, Jornal NH, Julho 2014

 

“Mãe, olha um dinossauro!”. Cansado de ouvir comentários como esse e descontente com as

dificuldades enfrentadas todos os dias por causa do excesso de peso, o músico Reinaldo Alexandre

de Ávila, 40 anos, decidiu mudar de vez o ritmo de vida. A revolução começou em 2012, quando a

balança marcou 190 quilos. Com 1,83m de altura, seu Índice de Massa Corporal (IMC) era 56,7,

ou seja, grau de obesidade mórbida. “Todo dia aconteciam coisas negativas. Gordo leva pancada

toda hora. É ruim para subir escada, é um sofrimento ir ao cinema, andar de ônibus, colocar o

cinto de segurança. Sem contar os olhares das outras pessoas. A dor psicológica é muito maior do

que as dores nas articulações, na coluna”, conta. Disposto a dar o tom da transformação no seu dia a dia, o músico procurou um nutricionista para entrar em um processo de reeducação alimentar. Os três pratos no almoço, o pastel assado com refrigerante diet no lanche e a panelada de arroz com galinha na madrugada deram lugar a um cardápio mais leve e equilibrado. Os excessos foram substituídos por refeições saudáveis e uma rotina alimentar regrada. “Participei de um grupo de apoio que trabalhava a questão de encarar a comida como um alimento, não como uma diversão ou como uma válvula de escape”, comenta. Quando perdeu 40 quilos, Ávila começou a fazer caminhadas, o que era praticamente impossível com o peso de antes. Com o exercício físico aliado à reeducação alimentar, o desafio trouxe ainda mais resultados positivos. Foram 102 quilos perdidos em 15 meses. “Muitos falavam que eu deveria fazer a cirurgia de redução do estômago, mas não quis passar pelo procedimento. Antes de tudo, precisava mudar a minha cabeça”, reflete.

O cirurgião Artur Pacheco Seabra, coordenador do Centro de Cirurgia Bariátrica e Metabólica

do Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre, concorda com o pensamento de Ávila. “A cirurgia

é parte de um contexto, sozinha não faz nada. Se o paciente não estiver convencido de que tem que

mudar de vida, cirurgia não vai resolver”, afirma. De acordo com Seabra, o procedimento não deve

ser recomendado para pessoas que não tentaram emagrecer de outras maneiras. Deve ser visto como último recurso e passar pela avaliação de uma equipe multidisciplinar, que vai incluir profissionais

como nutricionistas e psicólogos. O cirurgião-geral Carlos Dillenburg, especialista em cirurgia bariátrica, do Serviço de Atendimento ao Paciente Obeso e Metabólico (SAO), de Novo Hamburgo, reforça que a própria recuperação pós-operatória envolve uma mudança de atitude, que abrange alimentação saudável, controle emocional e a prática orientada de exercícios físicos. “Obesidade não tem cura e a cirurgia não cura, ela potencializa as mudanças.

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